Ivermectina e Mebendazol no Câncer: o que a ciência realmente mostra?
Um tema promissor...
A ivermectina e o mebendazol são medicamentos antiparasitários conhecidos há décadas. Nos últimos anos, passaram a ser estudados como possíveis fármacos de reposicionamento no câncer, ou seja, medicamentos já existentes avaliados para novas finalidades terapêuticas.
O interesse surgiu porque estudos laboratoriais e pré-clínicos observaram efeitos sobre proliferação celular, apoptose, angiogênese, microtúbulos, resposta imune tumoral e vias metabólicas relacionadas ao crescimento tumoral.

Ivermectina no câncer
A ivermectina demonstrou, em modelos experimentais, possíveis efeitos antitumorais, incluindo indução de morte celular imunogênica, modulação do microambiente tumoral e aumento da infiltração de células T em modelos de câncer de mama. Em um estudo pré-clínico publicado na npj Breast Cancer, a ivermectina associada a bloqueio de checkpoint imunológico mostrou sinergia em modelos animais de câncer de mama.
Mebendazol no câncer
O mebendazol tem sido estudado por sua possível ação sobre microtúbulos, angiogênese, apoptose e vias de sinalização tumoral. Em câncer colorretal metastático, um estudo prospectivo, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo avaliou o uso de mebendazol por 12 semanas associado a bevacizumabe + FOLFOX4 em 40 pacientes. O estudo sugeriu melhora em resposta tumoral, queda de VEGF e aumento de sobrevida livre de progressão, mas foi pequeno e precisa de validação em estudos maiores.
Já em um estudo fase 2a com pacientes com câncer gastrointestinal avançado e refratário, o mebendazol foi bem tolerado, porém todos os pacientes apresentaram progressão rápida da doença, mostrando que segurança não significa eficácia comprovada.
O ponto central
Esses medicamentos não devem ser vistos como substitutos de quimioterapia, imunoterapia, cirurgia, radioterapia ou terapias-alvo. O uso, quando considerado, deve ser sempre coadjuvante, individualizado e discutido com o médico, avaliando risco, benefício, interações medicamentosas, função hepática, estado nutricional e tipo tumoral.
Conclusão
Ivermectina e mebendazol são moléculas interessantes no campo do reposicionamento de fármacos em oncologia, mas ainda não possuem evidência clínica suficiente para serem considerados tratamentos oncológicos estabelecidos. O caminho mais seguro é tratá-los como hipóteses científicas promissoras!
Referências:
DOBBIN, Samantha J. H. et al. Ivermectin induces immunogenic cell death and synergizes with immune checkpoint blockade in breast cancer. npj Breast Cancer, Londres, v. 7, n. 1, 2021. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41523-021-00229-5. Acesso em: 31 maio 2026.
MANSOURI, Mohamed et al. A randomized, double-blind, placebo-controlled trial of mebendazole as an adjuvant to standard chemotherapy in metastatic colorectal cancer. Contemporary Oncology, v. 26, n. 1, p. 58–65, 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35385794/. Acesso em: 31 maio 2026.
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